Day 43: Telling a story

Celpe-Bras course › Week 7: Hard cases and polish

Day 43 of 56 · about 90 minutes

By the end of today you can:

  • Recognise the narrative genres the exam sometimes asks for
  • Retell a story from another character's point of view without changing the facts
  • Choose between the perfeito, the imperfeito and tinha feito in a story
  • Write a crônica that opens with a scene and closes with a thought

Quase todas as tarefas do exame pedem para informar, sugerir ou argumentar. Mas, de vez em quando, a Tarefa 4 pede outra coisa: contar uma história. Em uma edição recente, a tarefa era reescrever uma crônica de jornal do ponto de vista de outro personagem. Hoje você aprende a fazer isso.

Warm-up: do you remember?

Before anything new, pull these out of memory. They come from earlier days. Getting one wrong is useful: it shows you what to look at again.

  1. Todo sábado compro frutas e verduras na ______ do bairro.Every Saturday I buy fruit and vegetables at the neighborhood street market.
  2. O que o Iphan protege?Os dados pessoais O patrimônio histórico e cultural Os direitos dos trabalhadores
  3. Sem ______ médica, a farmácia não vende esse remédio.Without a prescription, the pharmacy won’t sell that medicine.
  4. No Brasil, uma universidade federal é ___.só para estrangeiros particular e paga pública e gratuita
  5. Com a ______ deste ano, o nível do rio baixou muito.With this year’s drought, the river level dropped a lot.
  6. Climate change is already affecting the harvest.______
  7. Quando eu ______ criança, morava em uma cidade pequena. (ser)When I was a child, I lived in a small town.
  8. It was a very important experience for me.______
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  1. Todo sábado compro frutas e verduras na feira do bairro.
  2. O que o Iphan protege? O patrimônio histórico e cultural
  3. Sem receita médica, a farmácia não vende esse remédio.
  4. No Brasil, uma universidade federal é pública e gratuita.
  5. Com a seca deste ano, o nível do rio baixou muito.
  6. As mudanças climáticas já afetam a safra.
  7. Quando eu era criança, morava em uma cidade pequena.
  8. Foi uma experiência muito importante para mim.

Quando o exame pede uma história

Contar é diferente de explicar. Em um texto narrativo, o leitor quer saber o que aconteceu, com quem, onde e como terminou. O método continua o mesmo: QPQO. A diferença é que agora o quem pode ser um personagem, e você precisa escrever com a voz dele.

Gênero O que faz Português
crônica conta uma história curta e pessoal do dia a dia, para um jornal Naquela manhã, o ônibus estava mais cheio do que nunca.
relato conta o que aconteceu, na ordem, para um site ou um boletim No último sábado, vinte voluntários limparam a praça do bairro.
depoimento uma pessoa conta a própria experiência Cheguei ao Brasil há cinco anos, sem falar uma palavra de português.
texto de homenagem conta a vida de alguém e por que ela é importante Há trinta anos, Seu Raimundo leva as crianças à escola.

Genre kit: crônica

Uma crônica é uma história curta, pessoal e leve, publicada em um jornal. Ela parte de um fato pequeno do dia a dia e termina com um pensamento.

  • Título: curto. Pode ser um objeto ou uma pessoa da história.
  • Começo: uma cena, e não uma explicação. Naquela tarde, a loja estava vazia e eu contava os minutos para fechar.
  • O cenário: Chovia muito, e ninguém passava pela rua.
  • O acontecimento: De repente, entrou uma senhora com um guarda-chuva quebrado.
  • Voz: eu, no passado, perto da língua falada, com um pouco de humor.
  • Fim: um pensamento ou uma imagem. Até hoje, quando chove, eu me lembro dela.
  • Nunca: saudação, Atenciosamente, lista de argumentos, uma “moral da história” explicada como em uma redação.

Todos os kits estão na página dos gêneros.

Mudar o ponto de vista

Quando a tarefa pede a mesma história contada por outro personagem, uma coisa fica igual e três coisas mudam.

  • Os fatos ficam iguais. O dia, o lugar, os objetos e a ordem dos acontecimentos são os da crônica original. Se o seu texto contradiz a fonte, você perde nota.
  • Muda quem diz eu. O narrador da fonte agora é ele ou ela: "o rapaz", "a cliente", "aquele senhor".
  • Muda o que o narrador sabe. O novo narrador não conhece os pensamentos do outro, nem o que ele fez longe dali. Mas sabe coisas que a fonte não conta: o que ele mesmo fazia antes, o que pensou, por que agiu assim.
  • Muda o que o narrador sente. O que foi uma vergonha para um pode ser uma surpresa para o outro.

Veja a mesma cena de um café, contada por duas pessoas:

Narrada pelo cliente Narrada pelo garçom
Esperei vinte minutos pelo café. Naquela manhã, eu estava sozinho no salão, com doze mesas para atender.
O garçom nem olhou para mim. Vi o senhor da mesa 4 levantar a mão, mas eu carregava três bandejas.
Saí sem deixar gorjeta. Ele foi embora sem deixar gorjeta. Eu entendi: no lugar dele, teria feito o mesmo.

Recontar não é copiar trocando eu por ele. Isso continua sendo cópia, e cópia vale zero. Use os fatos da fonte, mas escreva frases novas: o novo narrador tem outro jeito de falar. As falas dos personagens também devem vir com as suas palavras: em vez de copiar a frase entre aspas, escreva "Avisei que era emprestado".

Os tempos do passado em uma história

Em inglês, o passado simples (it rained, I waited) serve para quase tudo. Em português, cada tempo do passado tem um trabalho.

Tempo Para que serve Português
pretérito perfeito os acontecimentos, um depois do outro Ele entrou, pediu um café e sentou perto da janela.
pretérito imperfeito o cenário, as descrições, os hábitos, o que estava acontecendo Chovia, a loja estava vazia e eu lia o jornal.
mais-que-perfeito: tinha + particípio o que aconteceu antes de outro momento do passado Quando ele chegou, eu já tinha fechado o caixa.

Os três juntos, em uma cena:

Era sexta-feira e fazia muito calor. Eu esperava o ônibus quando um senhor parou ao meu lado e perguntou as horas. Ele tinha perdido o relógio na praia.

Três cuidados:

  • Com quando: a ação que já estava acontecendo fica no imperfeito, e a que interrompe fica no perfeito. Eu dormia quando o telefone tocou.
  • Verbos de estado (ser, estar, ter, saber, querer, conhecer) ficam quase sempre no imperfeito quando descrevem a situação: Eu tinha uma entrevista e estava nervoso. No perfeito, eles contam um fato completo ou uma mudança: Foi um dia difícil. Soube da notícia ontem. Conheci a Ana em 2019.
  • Particípios irregulares depois de tinha: feito, dito, visto, escrito, aberto, posto, vindo. Na escrita formal também se usa havia feito. A forma simples (fizera) é literária, e você não precisa dela.

Prática

Perfeito, imperfeito ou mais-que-perfeito? Escolha a forma certa para a história.

  1. Quando saí de casa, ___ muito frio.fez fará fazia
  2. De repente, um homem ___ na loja e pediu ajuda.entrará entrou entrava
  3. Eu ___ o jornal quando o telefone tocou.leio lia li
  4. Quando criança, eu ___ a casa da minha avó todos os domingos.visitei visito visitava
  5. Ontem a chuva ___ às duas da tarde em ponto.começou começa começava
  6. Ela não me reconheceu, porque eu ___ o cabelo.corto cortava tinha cortado
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  1. Quando saí de casa, fazia muito frio.
  2. De repente, um homem entrou na loja e pediu ajuda.
  3. Eu lia o jornal quando o telefone tocou.
  4. Quando criança, eu visitava a casa da minha avó todos os domingos.
  5. Ontem a chuva começou às duas da tarde em ponto.
  6. Ela não me reconheceu, porque eu tinha cortado o cabelo.

Complete com o verbo no tempo certo do passado.

  1. Quando cheguei ao ponto, o ônibus já tinha ______. (sair)When I got to the stop, the bus had already left.
  2. A banca ______ sempre aberta quando eu passava pela praça. (estar)The newsstand was always open when I walked through the square.
  3. Ele prometeu voltar no dia seguinte, mas não ______. (voltar)He promised to come back the next day, but he didn’t.
  4. Eu já tinha ______ aquele homem antes, mas não lembrava onde. (ver)I had seen that man before, but I couldn’t remember where.
  5. Enquanto eu ______ o troco, ela olhava a chuva. (contar)While I was counting the change, she was watching the rain.
  6. Eu não podia esperar a chuva passar, porque ______ uma entrevista às duas e meia. (ter)I couldn’t wait for the rain to stop, because I had an interview at half past two.
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  1. Quando cheguei ao ponto, o ônibus já tinha saído.
  2. A banca estava sempre aberta quando eu passava pela praça.
  3. Ele prometeu voltar no dia seguinte, mas não voltou.
  4. Eu já tinha visto aquele homem antes, mas não lembrava onde.
  5. Enquanto eu contava o troco, ela olhava a chuva.
  6. Eu não podia esperar a chuva passar, porque tinha uma entrevista às duas e meia.

Ponto de vista e gênero. Escolha a melhor resposta.

  1. O cliente escreveu: “O vendedor não me deu atenção.” Como o vendedor contaria o mesmo fato?O vendedor não me deu atenção. Eu estava atendendo três pessoas e não vi o rapaz entrar. Naquele dia, a loja estava fechada.
  2. A passageira escreveu: “O motorista freou de repente, e eu quase caí.” Como o motorista contaria o mesmo fato?Um cachorro atravessou a rua, e eu tive que frear de repente. Naquele dia, eu não precisei frear nenhuma vez. O motorista freou de repente, e eu quase caí.
  3. Você reescreve uma crônica do ponto de vista de outro personagem. O que não pode mudar?Os fatos da história A pessoa que diz eu Os sentimentos do narrador
  4. Qual destes começos é de uma crônica?Prezado editor, li com interesse o artigo publicado no domingo. Informamos que o elevador ficará parado na sexta-feira. Naquela tarde, o elevador parou entre o quarto e o quinto andar.
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  1. O cliente escreveu: “O vendedor não me deu atenção.” Como o vendedor contaria o mesmo fato? Eu estava atendendo três pessoas e não vi o rapaz entrar.
  2. A passageira escreveu: “O motorista freou de repente, e eu quase caí.” Como o motorista contaria o mesmo fato? Um cachorro atravessou a rua, e eu tive que frear de repente.
  3. Você reescreve uma crônica do ponto de vista de outro personagem. O que não pode mudar? Os fatos da história
  4. Qual destes começos é de uma crônica? Naquela tarde, o elevador parou entre o quarto e o quinto andar.

Coloque as palavras em ordem. São frases que servem em muitas histórias.

  1. Suddenly, the lights went out.______
  2. To this day I remember that day.______
  3. That afternoon, the street was empty.______
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  1. De repente, a luz apagou.
  2. Até hoje eu me lembro daquele dia.
  3. Naquela tarde, a rua estava vazia.

Revisão. Complete com a forma certa do verbo.

  1. Embora a ideia ______ boa, ela custa caro. (ser)Although the idea is good, it is expensive.
  2. Sugiro que a prefeitura ______ mais abrigos de ônibus. (construir)I suggest that the city build more bus shelters.
  3. Li com interesse o artigo ______ nesta revista no domingo. (publicar)I read with interest the article published in this magazine on Sunday.
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  1. Embora a ideia seja boa, ela custa caro.
  2. Sugiro que a prefeitura construa mais abrigos de ônibus.
  3. Li com interesse o artigo publicado nesta revista no domingo.

Ouça e escreva o que você ouviu.

  1. ______It was raining hard that Tuesday.
  2. ______He came back three months later.
  3. ______I had already forgotten the umbrella.
  4. ______The interview was at half past two.
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  1. Chovia muito naquela terça-feira.
  2. Ele voltou três meses depois.
  3. Eu já tinha esquecido o guarda-chuva.
  4. A entrevista era às duas e meia.

Tarefa

Antes de ler, faça o QPQO do enunciado: hoje o quem é um personagem. Depois leia a crônica com a caneta na mão e marque tudo o que Dona Nazaré viu, disse e fez. Então ligue o relógio e escreva.

Texto para ler

O guarda-chuva emprestado

Em Belém, a chuva tem hora marcada. Quem é de fora acha graça, mas quem mora aqui combina encontro “depois da chuva” com a mesma naturalidade com que os outros dizem “depois do almoço”. Naquela terça-feira de março, porém, ela resolveu chegar adiantada, e eu, que tinha uma entrevista de emprego às duas e meia, estava no meio da Praça da República, de camisa branca e sem guarda-chuva.

Corri para o único abrigo que havia por perto: o toldo de uma banca de revistas. Atrás do balcão, uma senhora de óculos pendurados no pescoço fazia palavras cruzadas e não levantou os olhos. Fiquei ali uns dez minutos, olhando o relógio, olhando o céu, olhando o relógio de novo. A chuva de Belém não tem pressa. Eu tinha.

— O senhor vai furar esse relógio de tanto olhar — disse ela, enfim, sem largar a caneta.

Expliquei a entrevista, o horário, a camisa branca. Ela suspirou, abaixou-se e tirou de trás do balcão o maior guarda-chuva que eu já tinha visto: amarelo, estampado de mangas, com cabo de madeira. Um guarda-chuva que protegia da chuva e também de qualquer chance de passar despercebido.

— Leva. Mas é emprestado, viu? Guarda-chuva é igual a livro: a gente empresta e nunca mais vê.

Jurei que devolveria no dia seguinte. Disse o meu nome, Henrique, como quem deixa um documento. Ela disse o dela, Dona Nazaré, e voltou às palavras cruzadas.

Cheguei à entrevista seco, pontual e impossível de ignorar. Consegui o emprego. O escritório ficava do outro lado da cidade, e o dia seguinte virou semana seguinte, que virou mês seguinte. O guarda-chuva foi morar atrás da porta do meu apartamento. Toda vez que chovia, ou seja, todos os dias, ele me olhava. Usei-o mais algumas vezes, confesso, sempre prometendo que seria a última. Um colega chegou a perguntar onde eu tinha comprado aquilo. Respondi que era herança de família, e a mentira pesou mais do que o cabo de madeira.

Três meses depois, numa sexta-feira, tomei coragem. Comprei uma caixa de bombons de cupuaçu, ensaiei um pedido de desculpas no ônibus e atravessei a praça com o guarda-chuva fechado debaixo do braço, como quem devolve um filho.

Dona Nazaré estava no mesmo lugar, com outra revista de palavras cruzadas. Olhou para mim, olhou para o guarda-chuva e só então sorriu.

— Olha só. Eu já tinha dado por perdido. É o sétimo que eu empresto este ano. O senhor é o primeiro que volta.

Entreguei os bombons e o discurso. Ela aceitou os primeiros e dispensou o segundo com um gesto. Contou que os guarda-chuvas eram esquecidos na banca pelos próprios fregueses e que ela os emprestava porque “coisa parada não serve para ninguém”. Perguntou se eu tinha conseguido o emprego. Eu disse que sim, e ela pareceu mais satisfeita com isso do que com a devolução.

Conversamos até as duas. Foi quando o céu escureceu, pontual desta vez, e os primeiros pingos bateram no toldo. Olhei para a praça, para o ponto de ônibus do outro lado, para as minhas mãos vazias. Dona Nazaré não disse nada. Apenas me estendeu, de novo, o guarda-chuva amarelo.

Saí debaixo dele prometendo voltar no dia seguinte. Ela riu alto. Nós dois já sabemos quanto dura, comigo, um dia seguinte.

Crônica escrita para este curso, no formato do exame.

Tarefa 4 · leitura → texto · 40 minutos

A versão de Dona Nazaré

Você é Dona Nazaré, a dona da banca de revistas da crônica “O guarda-chuva emprestado”. O jornal que publicou a crônica convidou você a contar a sua versão da história. Depois de ler o texto, escreva uma crônica para o mesmo jornal, narrando os acontecimentos do seu ponto de vista. Em seu texto, conte como foi o dia do empréstimo, o que você pensou durante os meses de espera e como foi a devolução.

Write your text on paper or in a document, then open the box below to check it.

I’ve finished writing: check my text

Confira o seu texto

  • Dá para ver quem escreve: Dona Nazaré, a dona da banca de revistas.
  • O texto fala com o leitor certo: os leitores do jornal.
  • Cumpre o propósito: contar a mesma história do seu ponto de vista.
  • Tem forma de crônica: começo, fim e tom adequados.
  • Narra em primeira pessoa, como Dona Nazaré, do começo ao fim
  • Conta o dia do empréstimo: a chuva, o homem apressado, o guarda-chuva amarelo e o aviso de que era emprestado
  • Conta a espera: os meses sem notícia e o que ela pensou
  • Conta a devolução: ele volta com o guarda-chuva e os bombons, e ela empresta de novo
  • Mantém os fatos da crônica original, sem contar o que só Henrique podia saber
  • Usei as minhas próprias palavras: não copiei frases da fonte.
  • Quem não viu a fonte entenderia o meu texto.
  • Os erros de língua não atrapalham a leitura.

Texto modelo: nota 5

O moço do guarda-chuva amarelo

Quem trabalha em banca de revistas na Praça da República aprende a ler gente mais depressa do que jornal. Naquela terça-feira de março, a chuva veio antes da hora, e um rapaz de camisa branca correu para debaixo do meu toldo. Eu fazia as minhas palavras cruzadas, mas via tudo: ele consultava o relógio a cada minuto, como se isso fizesse a água parar.

Tive pena. Ele me contou que tinha uma entrevista de emprego, e eu me lembrei dos guarda-chuvas que os fregueses esquecem na banca. Escolhi o amarelo, o das mangas, que é enorme e que ninguém quer. Avisei que era emprestado, porque conheço essa história: guarda-chuva sai e não volta. Ele prometeu trazer no dia seguinte e até me disse o nome, Henrique.

O dia seguinte passou. Passaram a semana, o mês, as chuvas de abril e de maio. Não fiquei zangada; fiquei curiosa. Será que ele tinha conseguido o emprego? Naquele ano eu já tinha emprestado outros seis, e nenhum tinha voltado. Risquei mais um da lista.

Pois numa sexta-feira de junho, quem atravessa a praça? O Henrique, com o amarelo debaixo do braço, uma caixa de bombons de cupuaçu e um pedido de desculpas decorado. Fiquei com os bombons e com a boa notícia: o emprego era dele.

Conversamos tanto que a chuva das duas nos pegou ali. Ele não tinha guarda-chuva, claro. Emprestei o amarelo outra vez. Ele jurou que voltava no dia seguinte, e eu dei risada. Não tenho pressa: agora sei que ele volta.

Why it’s a 5: The narrator is Dona Nazaré from the first line to the last ("debaixo do meu toldo"), and she tells only what she could see or think: the three months appear as her own wait ("Não fiquei zangada; fiquei curiosa"), which the source never gives. Every fact agrees with the original (the Tuesday in March, the mangoes, the seventh umbrella, the bombons), and no sentence is lifted from it. It has a title, opens on a scene and closes on a thought, and the past tenses do their jobs ("fazia… via… correu… tinha emprestado").

Texto modelo: nota 3

Prezados leitores,

Eu sou a Dona Nazaré e trabalho na banca de revistas da Praça da República. Um dia de março choveu muito e um homem entrou debaixo do meu toldo. Eu fiz palavras cruzadas quando ele chegou. Ele foi muito nervoso porque tinha uma entrevista de emprego e olhou o relógio todo o tempo.

Eu emprestei ele um guarda-chuva grande e amarela, com mangas. Eu disse: “Leva. Mas é emprestado, viu? Guarda-chuva é igual a livro: a gente empresta e nunca mais vê.” Ele jurou que devolveria no dia seguinte.

Depois três meses, numa sexta-feira, ele tomou coragem. Comprou uma caixa de bombons de cupuaçu, ensaiou um pedido de desculpas no ônibus e atravessou a praça com o guarda-chuva fechado debaixo do braço. Dona Nazaré estava no mesmo lugar e sorriu. Ela disse que era o sétimo guarda-chuva que emprestava este ano e que ele era o primeiro que voltou.

Eu fui muito feliz porque ele conseguiu o emprego. Depois começou a chover de novo e eu emprestei o guarda-chuva outra vez. Eu penso que as pessoas devem sempre devolver as coisas emprestadas.

Atenciosamente,

Dona Nazaré

Why it’s a 3: The story is retold and the facts are right, but the point of view breaks: the third paragraph is copied from the source with the pronouns changed, tells what only Henrique knew ("ensaiou um pedido de desculpas no ônibus") and even calls the narrator "Dona Nazaré… Ela". The months of waiting, which the task asks for, are missing. "Prezados leitores" and "Atenciosamente" belong to a letter, and the last sentence is a school-essay moral. The tense and agreement slips (eu fiz palavras cruzadas quando ele chegou for fazia, ele foi muito nervoso for estava, amarela, emprestei ele, depois três meses, eu fui muito feliz for fiquei) don't block the reader. Telling the wait in her own words and dropping the letter frame would make this a 4.

Fala

Leia o cartão em um minuto e responda às perguntas em voz alta. Uma das perguntas pede uma pequena história: use o imperfeito para a cena e o perfeito para o que aconteceu.

Elemento provocador · 5 minutos

Comportamento

Memória e fotos

Nunca tiramos tantas fotos, e nunca olhamos tão pouco para elas. Um celular comum guarda milhares de imagens que quase ninguém revê. Antes, um álbum de família tinha poucas dezenas de fotos, e cada uma contava uma história. Hoje, fotografamos o prato, o show e o pôr do sol antes mesmo de olhar para eles. Alguns pesquisadores acreditam que, quando confiamos a lembrança à câmera, prestamos menos atenção ao momento e nos lembramos menos dele. Outros dizem o contrário: a foto ajuda a memória a voltar.

Material criado para este curso.

The examiner’s questions are below. Read each one aloud, then answer it out loud for about 40 seconds.

  1. De que trata o material?
  2. Que relação você vê entre o título, a imagem e o texto?
  3. Você tira muitas fotos? De quê?
  4. Você concorda que fotografar um momento pode fazer a gente se lembrar menos dele? Por quê?
  5. Conte a história de uma foto importante para você. Onde você estava e o que tinha acontecido antes?
  6. Na sua família, havia álbuns de fotos quando você era criança? Como eram?
  7. No seu país, as pessoas costumam imprimir as fotos ou guardam tudo no celular?
  8. O que você já observou sobre a relação dos brasileiros com as fotos e as redes sociais?
Palavras úteis e uma resposta modelo
  • o álbum de família the family album
  • rever as fotos to look at the photos again
  • registrar um momento to capture a moment
  • a lembrança the memory (of something)
  • imprimir uma foto to print a photo

Pergunta 5: Tem uma foto que eu adoro. Eu tinha uns oito anos e estava na praia com o meu avô. Ele tinha acabado de me ensinar a andar de bicicleta, e eu estava com o joelho machucado, mas ria muito. Quem tirou a foto foi a minha mãe. O meu avô faleceu há alguns anos, e essa foto fica na minha mesa. Quer dizer, para mim ela guarda aquele dia inteiro, não só aquele momento.

Finish day 43

Written your text or recorded your answers, and marked them? Then that’s today finished. Come back tomorrow: steady daily work is what moves your score.

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